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Luiz Miiler
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Origem da Vida na Terra

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Origem da Vida na Terra

Luiz Miiller (*)

O Planeta Terra, hoje, apresenta uma fantástica variação de sistemas de vida. A chamada biodiversidade é uma riquíssima fonte para o desenvolvimento da vida nos diversos reinos da Natureza. Mas, nem sempre foi assim. Nos remotos tempos da formação do planeta não havia a menor possibilidade da presença de seres vivos. Donde vieram os seres vivos? Hoje a vida se garante através da reprodução sexuada e assexuada porque já temos as bases biológicas lançadas em nosso mundo. Mas, e antes dessas bases serem formadas? Como elas foram estruturadas? Quem foram seus ancestrais? Ou melhor: Será que houve ancestrais?

A questão da origem da vida em nosso planeta gerou, ao longo do tempo, discussões desencontradas, tanto na área religiosa como na científica.

A Teologia, mais propriamente a Bíblia, nos mostra a ideia criacionista onde os seres vivos teriam sido criados por Deus de maneira milagrosa: Deus quis, como num passe de mágica, e os seres vivos apareceram, prontos, cada espécie organizada, acabada…

A Doutrina Espírita também procurou estudar essa questão através de perguntas formuladas aos Espíritos, e por reflexões feitas por Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo. Em “O Livro dos Espíritos”, nas questões 43 e seguintes, vamos encontrar respostas dos Espíritos de Luz dizendo-nos que “No começo tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres apropriados ao estado do globo.”

Na questão 44 do mesmo livro, Allan Kardec indagando os Imortais de onde vieram os seres vivos, obteve a seguinte resposta: “A Terra lhes continha os germens que aguardavam o momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos (…)”. Allan Kardec apresenta no seu livro “A Gênese”, a teoria da geração espontânea que foi longamente debatida, sendo aceita por uns e repelida por outros. Era a idéia da Abiogênese contra a Biogênese. Não era, ainda, possível provar a teoria da Geração Espontânea (Abiogênese).

Na década de 30, do século passado, surge no cenário uma proposta para explicar a origem da vida na Terra. A hipótese foi elaborada por Aleksander Ivanovitch Oparin (1894-1980), membro da Academia de Ciências de Moscou. Ele sugeriu que a vida tenha surgido espontaneamente na Terra, sendo que a matéria orgânica surgiu a partir de compostos inorgânicos.

A hipótese de Oparin, que foi apoiada pelo biólogo J. B. S. Haldane e, mais tarde, testada em laboratórios americanos por Stanley Miller, Sidney Fox e outros pesquisadores, obteve apoio do mundo científico, e se constituiu numa teoria, a mais moderna para explicar a origem da vida na Terra.

Segundo essa teoria, a atmosfera terrestre primitiva apresentava uma composição diversa da atual. Talvez fosse rica em gases como metano, amônia, hidrogênio e vapor de água. Naquela atmosfera inóspita para a vida, rica em gases tóxicos e sem oxigênio livre, exposta a altas temperaturas, cortadas por constantes centelhas elétricas e varridas pelos raios ultravioleta da luz solar, pois ainda não havia a camada de ozônio que hoje nos protege, aqueles gases devem ter-se combinado originando moléculas orgânicas de aminoácidos.

Em 1954, na Universidade de Chicago, Stanley Miller e Harold Urey executaram, experimentalmente em laboratório, uma pesquisa colocando num balão de vidro uma mistura de metano, amônia, hidrogênio e vapor de água. O conjunto foi submetido a alta temperatura e os gases eram varridos por uma centelha elétrica constante.

Ao fim de muitas horas, recolheram gotículas de água que se acumularam na face interna do balão de vidro e nelas pesquisaram a presença de aminoácidos. O resultado foi positivo. Estava provado experimentalmente que moléculas orgânicas como aminoácidos, podem ser obtidas espontaneamente a partir de moléculas simples sem atividade biológica.

A hipótese de Oparin estava confirmada e já podia ser chamada de teoria, a despeito de que, posteriormente, outras experiências tenham sido levadas a efeito ficando provado que a vida também poderia vir da mistura de outros gases. Isso, porém, em nada contraria a Teoria de Oparin; apenas nos informa de que a Natureza provavelmente dispõe de vários meios para a obtenção natural de aminoácidos.

O raciocínio de Oparim nos leva a concluir que os primeiros seres vivos foram células que surgiram sem ancestrais biológicos. E que surgiram espontaneamente na Natureza, no correr de um tempo imensamente vasto e incalculável.

Dr. Jorge Andréa dos Santos, renomado pesquisador espírita, diz em seu livro “Dinâmica Espiritual da Evolução”, quando se refere à origem da vida em nosso planeta, o seguinte: “Ainda reforçando essas idéias, podemos lembrar e reafirmar que as grandes e contínuas descargas elétricas na atmosfera planetária daquela época influenciariam os grupos químicos existentes até que, num determinado momento, ao lado de outros fatores, conseguiram transformar o inorgânnico em orgânico. O caminho estava desbravado. Dos hidrocarbonetos aos aminoácidos o tempo seria imenso e o passo ainda pequeno e vacilante”.

Os homens de ciência passaram a ter um outro problema para resolver, pois a hipótese de Oparin foi inicialmente qualificada como a moderna teoria da geração espontânea. Ainda que se fizesse explicar que a geração espontânea nada tinha a ver com aquela defendida por Van Helmont e muitos outros, nos séculos passados, pois referia-se a uma formação natural das primeiras células vivas em condições primitivas do Planeta, o assunto deu muita discussão. Diante de tais polêmicas, mudou-se o nome para Teoria Heterotrófica da Origem da Vida. E por que heterotrófica?

Porque um organismo heterotrófico simples, unicelular, exige uma complexidade enzimática e biológica muito menor do que a de um organismo autotrófico. Essas primeiras células nutriam-se das proteínas e de outros compostos orgânicos que compunham aquela “sopa milenar” que se acumulara nas águas mornas dos primeiros oceanos do nosso Planeta.

Outro aspecto a ser considerado é quanto à inexistência de oxigênio livre na atmosfera, por isso os primeiros seres vivos que apareceram foram anaeróbios, não precisavam, como ainda hoje ocorre, de oxigênio para viver. Só bem mais tarde quando as plantas aprenderam a sintetizar a clorofila ou a realizar a quimiossíntese é que começou a haver o desprendimento de oxigênio livre na atmosfera, abrindo condições para a instalação da vida dos aeróbios.

Recorrendo novamente ao Dr. Jorge Andréa, no livro já citado, destacamos o seguinte: “Estamos nos referindo a um Princípio Espiritual por não admitirmos que os fenômenos da vida sejam resultado de “acasos”, e sim de “necessidades” que um campo orientador poderá conduzir, a fim de alcançar uma determinada posição; posição que é ordem, harmonia, equilíbrio e finalidade. Dessa forma, esse campo de unificação ou espiritual teria condições mais evoluídas, estaria em posição mais avançada, como energia que sofreu evolução e já se encontra em posição de orientação”.

 

(*) Luiz Miiller é tarefeiro e palestrante no Centro Espírita André Luiz, de Joinville, SC.
E-mail luiz-miiller@hotmail.com.
Texto publicado originalmente no Espaço Espírita número 22, de junho de 2008

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